07.07.2026
Terça-feira
10.07.2026
Sexta-feira

Concerto comentado : Music Ballistix para clarinete e eletrónica Resanovic Nikola (n.1955)
15:00_Palácio do Raio Interior
David Dias da Silva (cl).
Som em Trajetória
"A tecnologia não é o oposto da humanidade; é uma das formas através das quais continuamos a imaginar o futuro."
No interior do Palácio do Raio, a arquitetura histórica encontra uma linguagem sonora profundamente contemporânea. Music Ballistix, para clarinete e eletrónica, do compositor sérvio-americano Nikola Resanovic, convida o público a explorar novas formas de escuta, onde o som se expande para além dos limites físicos do instrumento e ocupa o espaço de maneira dinâmica e imprevisível.
Este concerto comentado propõe uma aproximação ao universo da música contemporânea através da descoberta. Mais do que assistir a uma performance, o público é convidado a compreender os processos criativos, as técnicas e as ideias que moldam a obra. O diálogo entre intérprete, compositor e audiência torna-se parte integrante da experiência artística.
Em Music Ballistix, o clarinete surge como um ponto de partida para uma viagem sonora em constante transformação. A eletrónica prolonga, fragmenta e multiplica os sons produzidos ao vivo, criando um jogo de ecos, trajetórias e movimentos que parecem percorrer a arquitetura do espaço. O som deixa de ser apenas um acontecimento temporal para se tornar uma presença física que habita o ambiente.
O Palácio do Raio, conhecido pela riqueza decorativa da sua fachada e pela elegância dos seus interiores, oferece um enquadramento singular para esta exploração. A coexistência entre património histórico e criação contemporânea reflete uma das questões centrais da obra: a relação entre tradição e inovação, entre aquilo que herdamos e aquilo que continuamos a construir.
"A arte deve fazer-nos ver o mundo como se o víssemos pela primeira vez." — John Cage
Ao revelar os mecanismos da criação musical contemporânea, este momento procura desmistificar a relação entre público e nova música. A escuta torna-se uma experiência ativa, feita de curiosidade, descoberta e participação. Cada som, cada transformação eletrónica e cada gesto instrumental contribuem para a construção de uma paisagem sonora que desafia expectativas e abre novas possibilidades de perceção.
Entre a proximidade do concerto comentado e a experimentação da obra, este encontro transforma o Palácio do Raio num laboratório de escuta. Um espaço onde a tradição arquitetónica dialoga com as linguagens do presente e onde a música nos convida a imaginar novas formas de habitar o som, o espaço e o tempo.

Dave Anderson e Sérgio Azevedo Quintetos
21:00_ Palco ar de Verão
[Praça Municipal]
Adam Newman (vla), David Dias da Silva (cl), David Wyn Lloyd (vl), Jorge Castro (cb),
Pedro Teixeira (ob).
A Cidade como Palco
"Uma cidade não é feita de pedra, mas das relações que nela acontecem."
Na Praça Municipal de Braga, o espaço público transforma-se num lugar de encontro entre criação contemporânea, património e comunidade. Os quintetos de Dave Anderson e Sérgio Azevedo ocupam o centro da cidade, convidando o público a experienciar a música como parte integrante da vida urbana.
Num festival que procura descobrir novos ecos da cidade, este concerto celebra o diálogo entre tradição e contemporaneidade. As obras apresentadas refletem diferentes perspetivas sobre o nosso tempo, explorando sonoridades, texturas e narrativas que estabelecem uma ligação direta com o presente. A música deixa de habitar exclusivamente a sala de concertos para se afirmar como uma expressão viva do espaço coletivo.
A Praça Municipal, marcada pela sua centralidade histórica e cívica, torna-se um cenário privilegiado para este encontro. Aqui cruzam-se diariamente pessoas, histórias e ritmos distintos; da mesma forma, as obras de Anderson e Azevedo constroem-se a partir do diálogo entre diferentes vozes instrumentais, criando uma experiência de partilha e descoberta.
Ao ar livre, a música mistura-se com os sons da cidade, com a luz do final do dia e com a presença dos edifícios que testemunham séculos de transformação urbana. O património deixa de ser apenas memória e torna-se participante ativo da experiência artística, reforçando a ligação entre criação contemporânea e identidade local.
Este concerto propõe uma reflexão sobre a cidade enquanto espaço vivo de criação. Um lugar onde diferentes gerações, culturas e sensibilidades coexistem e onde a arte pode gerar novas formas de encontro. As obras de Dave Anderson e Sérgio Azevedo surgem como um convite à escuta do presente, transformando a Praça Municipal num território de diálogo, proximidade e imaginação.
Durante esta performance, a música torna-se parte da paisagem urbana, revelando que as cidades não são apenas lugares que habitamos, mas espaços que continuamente recriamos através das experiências que partilhamos.
