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07.07.2026
Terça-feira

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Octeto in F major, D.803 Schubert, Franz
21.00_Basílica dos Congregados

Adam Newman (vla), Daniel Mota (fag), David Dias da Silva (cl), Fernando Costa (vc), Francisco Lima (vl), Jorge Castro (cb), Pedro Pereira (tpa),
Piotr Rachwał (vl).

Entre o Som e a Luz: Habitar o Invisível

"A música é a mediadora entre a vida espiritual e a vida sensorial." — Ludwig van Beethoven

A Basílica dos Congregados, espaço de encontro entre fé, memória e comunidade, transforma-se temporariamente num lugar de escuta ampliada, onde a música, a arquitetura e a imagem convergem numa única experiência sensorial. A apresentação do Octeto em Fá Maior, D.803 de Franz Schubert é acompanhada por uma intervenção visual projetada sobre o altar-mor, criando um diálogo entre património e criação contemporânea.

Composto em 1824, o Octeto representa um dos momentos mais luminosos da produção de Franz Schubert. A sua escrita expansiva, marcada por contrastes entre intimidade e grandiosidade, revela uma constante procura de equilíbrio entre a fragilidade humana e a ideia de transcendência. Schubert parece construir paisagens sonoras que habitam um espaço entre a realidade e o sonho, entre o visível e o invisível.

"A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes sob a luz." — Le Corbusier

Partindo desta ideia, a intervenção visual propõe uma leitura contemporânea da Basílica, não como um mero cenário histórico, mas como um corpo vivo capaz de dialogar com o presente. A luz percorre as superfícies do altar, revela detalhes ocultos da ornamentação barroca e transforma a pedra num espaço de movimento. A arquitetura deixa de ser um elemento estático para se tornar matéria sensível, reagindo à energia da música.

Mais do que ilustrar a partitura, a projeção procura tornar visíveis as forças invisíveis que habitam a experiência musical: a vibração, a memória, a passagem do tempo e a relação entre o indivíduo e o espaço coletivo. As imagens surgem como ecos visuais das estruturas musicais, criando uma narrativa aberta que convida cada espectador a construir a sua própria interpretação.

"O passado não está morto. Nem sequer é passado." — William Faulkner

Nesta perspetiva, a Basílica dos Congregados torna-se um território onde diferentes temporalidades coexistem. A música de Schubert transporta consigo quase dois séculos de história; a arquitetura guarda marcas de gerações sucessivas; a projeção introduz uma linguagem do presente. O encontro destes elementos cria um espaço de suspensão temporal, onde memória e contemporaneidade se entrelaçam.

A obra propõe, assim, uma reflexão sobre a própria natureza do património: não como algo fixo ou concluído, mas como uma realidade em constante transformação, enriquecida por novos olhares e novas experiências. Durante a performance, o altar converte-se num portal simbólico entre matéria e imaginação, entre permanência e mudança.

"A arte não reproduz o visível; torna visível." — Paul Klee

É precisamente nesse gesto de tornar visível o invisível que esta criação encontra o seu propósito. Entre o som do octeto, a monumentalidade da arquitetura e a efemeridade da luz projetada, nasce uma experiência que convida o público a habitar o espaço de forma renovada, descobrindo novos ecos, novas perspetivas e novas possibilidades de contemplação.

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