07.07.2026
Terça-feira
09.07.2026
Quinta-feira

Bach, Sebastian / Deviene, Francois / Villa-Lobos / Koechlin, Charles / Enescu, Gerorge
18:00_ Igreja da Misericórdia
Ana Ferraz (fl), Daniel Mota (fg), David Dias da Silva (cl), Nikolai Gimaletdinov (vc).
A Luz que Permanece
"A única forma de compreender a vida é olhar para a luz que a atravessa."
Na Igreja da Misericórdia, a música torna-se um espaço de contemplação. Mais do que um conjunto de obras de diferentes épocas e geografias, este concerto propõe uma viagem através daquilo que permanece comum à experiência humana: a procura de beleza, de transcendência e de ligação ao mundo que nos rodeia.
A arquitetura da igreja, marcada pela presença da pedra, da ornamentação e da luz natural, acolhe esta experiência como um lugar de suspensão do tempo. Tal como no cinema de Terrence Malick, onde a narrativa surge frequentemente através da relação entre o ser humano, a memória e a luz, também aqui o percurso artístico se constrói menos através de acontecimentos e mais através de estados de contemplação.
Ao longo do concerto, a iluminação revela lentamente diferentes dimensões do espaço, destacando detalhes arquitetónicos, profundidades e texturas que dialogam com a música. A luz torna-se matéria poética, transformando a perceção do edifício e convidando o público a observar aquilo que normalmente permanece invisível.
As obras de Bach, Devienne, Villa-Lobos, Koechlin e Enescu encontram neste contexto um território comum. Apesar das suas diferentes origens, todas transportam uma dimensão de escuta interior e de relação com algo maior do que o indivíduo. A música percorre o espaço como uma respiração contínua, ligando épocas, culturas e sensibilidades numa mesma experiência de presença.
Entre a sombra e a claridade, entre a monumentalidade da arquitetura e a intimidade do som, o concerto propõe um momento de desaceleração. Um convite a habitar o espaço com atenção renovada, permitindo que a música e a luz revelem novas formas de percecionar o património, a memória e o tempo.
Durante uma hora, a Igreja da Misericórdia transforma-se numa paisagem de escuta. Um lugar onde a arte não procura explicar, mas permitir sentir. Onde cada nota e cada mudança de luz recordam que, mesmo num mundo em constante transformação, existem experiências capazes de nos reconectar com aquilo que é essencial.

Souvenir de Florence, Op.70 Tchaikovsky, Pyotr
21.00_Associação Empresarial
de Braga
Adam Newman (vla), David Wyn Lloyd (vla), Fernando Costa (vc), Francisco Lima (vl), Nikolai Gimaletdinov (vc), Piotr Rachwał (vl).
Memórias de uma Cidade
"Não nos lembramos dos dias; lembramo-nos dos momentos." — Cesare Pavese
No coração da Associação Empresarial de Braga, espaço dedicado ao encontro, à partilha e à construção do futuro, a música de Souvenir de Florence convida-nos a olhar para a cidade como um lugar de memória coletiva. Tal como as ruas, os edifícios e as praças guardam vestígios de quem os habitou, também a música conserva emoções, experiências e histórias que atravessam o tempo.
Composta por Pyotr Ilyich Tchaikovsky após uma estadia em Florença, esta obra não procura descrever um lugar específico. Pelo contrário, transforma a experiência da viagem numa evocação emocional, onde a recordação se torna mais importante do que a realidade. Florence surge como símbolo de beleza, encontro e inspiração, um espaço reconstruído pela memória e pela imaginação.
É precisamente essa ideia que serve de ponto de partida para este concerto. A Associação Empresarial de Braga, edifício ligado à vida económica e social da cidade, torna-se um lugar de convergência entre diferentes percursos, experiências e visões do mundo. Tal como a música de Tchaikovsky reúne vozes independentes numa única estrutura sonora, também a cidade é construída pela soma das histórias individuais que nela coexistem.
A iluminação do espaço acompanha esta viagem, revelando gradualmente a arquitetura e criando diferentes atmosferas de proximidade e descoberta. A luz atua como uma metáfora da memória: ilumina fragmentos, destaca detalhes e transforma a perceção do que julgávamos conhecer.
Ao longo da obra, a energia coletiva dos músicos alterna entre momentos de intensidade vibrante e passagens de profunda intimidade. Surge então a imagem da cidade enquanto organismo vivo — um lugar onde diferentes vozes, culturas e experiências se cruzam continuamente, criando uma identidade comum em permanente transformação.
Mais do que uma evocação de Florença, este concerto é uma reflexão sobre todas as cidades e sobre a forma como as habitamos. Sobre os lugares que nos moldam, as memórias que transportamos e os encontros que definem quem somos.
Durante esta performance, a Associação Empresarial de Braga transforma-se num espaço de escuta e partilha, onde música, arquitetura e luz convergem para recordar que as cidades não são feitas apenas de edifícios, mas das histórias humanas que nelas permanecem. Uma celebração da memória, da comunidade e da capacidade da arte de criar novas ligações entre passado, presente e futuro.
